As aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain




 








O MAE/USP visita...

Desafio: compartilhar alguns materiais arqueológicos do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE/USP) com - quase todas - as turmas de três colégios em quinze dias. Observá-los, tocá-los e analisá-los ajuda bastante a (re)pensar conceitos históricos e impressões sobre a cultura do outro; como (re)pensar as noções de "pré-histórico", "primitivo", "atrasado", menor", "pequeno", "estranho", "selvagem", "inferior" e "infelizes". Operação concluída com sucesso!


Colégio Módulo

Turma I




Turma II




Turma III




Colégio ECO

1º Médio


Colégio BAL

Sexto Ano



Sétimo Ano



Cartas autorais de alunos feudais



Carta de Bruna Pereira

Excelentíssimo senhor feudal Marcos César,

É com pesar que tenho que pedir para o cardeal da igreja local para lhe informar sobre o desastre da colheita de seu feudo. Metade desta foi arruinada pelos motivo de não ter sido colhida na época em que os frutos estavam em seu auge.

A colheita foi, infelizmente, desastrosa pelo motivo que o senhor já deve imaginar. A Batalha de Poitiers que durou sete dias, sete longos e dolorosos e difíceis dias, não nos deixou fazer nada para mudar. Foi impossível colhermos porque o senhor deve saber que fomos obrigados a parar tudo o que estávamos fazendo para auxiliar o governo local e a igreja.

Desde já pedimos desculpas!

Seu servo leal,
Levis Gorgô

Carta de Giovanna  Polycarpo

Prezados Duque e Duquesa da França, 

Por obséquio, poderiam dar o ar de suas graças em nosso modesto feudo na Itália para o baile de casamento  de minha filha primogênita? Ofereceremos uma imensa ceia e seremos acompanhados do Rei e da Rainha da França.

Se vossas graças aceitarem, ofereceremos a carruagem de ouro, cravada de joias e rodas de mármores, cavalos altos e fortes e um servo confiável de minha família para acompanhá-los na ida e no retorno.

A cerimônia acontecerá no dia 19 de março e teremos noventa e sete mil servos à disposição, divididos no equivalente a duzentos hectares de terra, onde acontecerá a festividade.

Agradeço o vosso tempo, 
Marquês e Marqueza da Itália.

Carta de Giulia Ferrari

Vossa Santidade,

Estou escrevendo esta carta com muita dor no coração. Infelizmente, me obrigo a pedir encarecidamente que o senhor me liberte de minhas obrigações com Deus. Peço perdão por tal calamidade.

O motivo desta triste decisão se refere a pecados que cometi que nenhum padre digno deveria as ter realizado. Acho que não acredito mais na Igreja Católica. Amo ser padre, mas creio que nao esteja respeitando minhas próprias crenças, pois tenho fé em outro deus.

Procurei entrar em contato com o bispo Marco Antônio, que cuida de minha paróquia, mas este está viajando. Tentei também com todos os outros participantes do clero, mas meu caso é muito raro e estes não puderam atender as minhas indignas necessidades humanas.

É por isso que me ajoelho em respeito à Vossa Santidade, Papa João Cardoso III, e peço que me castigue de qualquer forma para que eu possa lavar minha alma dos meus pecados.

Atenciosamente, 
José Carlos, padre da paróquia de São Pedro.

Carta de Guilherme Ganen

Claudia,

Tochas cintilavam em direção de nossa vila. Talvez fosse um ataque.Eram multidões e passaram pelas nossas muralhas. Logo percebi que estávamos correndo um grande perigo. Ouvi gritos e choros por toda a vila. Também vi casas pegando fogo e guerreiros caídos por toda parte. Era pior do que eu pensava. Foi uma noite de trevas. Perdi quase tudo que tinha e por pouco não perdi minha vida. Foi um ataque surpresa e não tivemos chances de nos defender.

Depois surgiram os cavaleiros e mais guerreiros para o contra-ataque, que poderia salvar nossa vila e era nossa única esperança. Passaram horas de batalha e derramamento de sangue. Saímos vitoriosos, porém vários guerreiros importantes morreram e também perdemos nossos bens materiais.

Terei que recomeçar minha vida e recuperar tudo o que perdi. Ainda choro pelos bravos guerreiros e cavaleiros que morreram salvando nossa vila. Eles são verdadeiros heróis e hoje todos estão de luto. Por enquanto, me encontro em uma moradia precária e simples onde estou morando de favor. Não pretendo ficar aqui por muito tempo. 

Em breve nos veremos de novo,
Guilherme Auditore.

Carta de Heitor Faria

Para meu irmão, 

Em nosso vilarejo mais uma batalha foi travada entre os cavaleiros de nosso reino e os do reino vizinho. Nosso povo está em luto, pois Enestor, nosso poderoso e grande rei se perdei em meio à imensidão de campos e florestas de nosso reino e foi achado deitado em uma pedra tenso o seu sono profundo e eterno, com um machado cravado em seu peito.

As perdas foram milhares, mas nenhuma tão marcante e triste quanto a de Enestor, o rei, que muito consideravam pai e eu considero uma lenda: uma vitória não é nada se com ela perde-se um grande homem.

Joaquim Minenonti Vasconcelos.

Carta de Lívia Tadei

Queria mãe, 

Soube que a guerra que papai participou não foi finalizada com sucesso. Morreram muitos homens e muitos estão feridos. Papai é um deles. ele está muito doente. Queria que estivesse aqui para me ajudar a curá-lo.

Outra guerra foi marcada e o papai foi chamado. Acho que vou lutar no lugar dele escondido. ele não tem condições de lutar. Alguns guerreiros, infelizmente, se aliaram contra nós. Estavam com medo de morrer porque o exército oposto era o dobro do nosso.

Precisamos de você. Enquanto luto na guerra, você cuida do papai.

Com amor, 
Sua filha.


Carta de Luan Chinazzo

Prezada família, 

Estou escrevendo a vocês, que estão do outro lado da cidade, com a ajuda de um padre da Igreja Católica.

Estou bem e morando em uma parte da terra que o senhor feudal me cedeu. Ele é meu suserano e pago vários impostos por ser uma pessoa que reside na terra dele e por utilizar suas ferramentas. Tenho que trabalhar duas ou três vezes de graça nas terras dele e também dar mais ou menos trinta a quarenta por cento do que planto em minha terras a ele.

Eu trabalho de servo porque Deus quis que eu fosse assim. Então, não devo reclamar e apenas agradecer. Também existem os camponeses, os nobres e o clero, que tem mais dinheiro e poder. Mas o que importa é ter o que comer e que tenho onde morar.

A igreja moraliza a sociedade e valoriza a educação, as artes e a cultura grega e romana. Ela Também controla o poder e o conhecimento. E nós, que somos servos, apenas obedecemos.

Vou me despedir com muitas saudades e espero encontrá-los em breve.

Com amor,
Luan Freitas Chinazzo. 

Carta de Rodrigo Caciquinho

Caros nobres,

Daqui a algumas horas, o inimigo atacará. Preparem-se para ficar na linha de ataque para proteger a cidade. Caso precise de reforços me mande uma carta de volta que eu lhe ajudarei. Já estou enviando outros nobres para te ajudar. O inimigo poderá entrar pelo sul ou pelo leste da cidade. Isso foi o que o mensageiro me falou. Mas com os nobres que irei mandar poderemos observar todos os cantos da cidade.

Espero que tenhamos uma boa luta e que sejamos vitoriosos.

Abraços, 
Senhor feudal.

Carta de Rodrigo Piscina

Caro Edgar,

Te escrevo esta carta para lhe falar um pouco de como é minha rotina, minha vida, a paisagem que tenho e como é a sociedade em que vivo.

Bom, em troca de proteção e do direito de usufruir da terra, tenho que cultivar os terrenos recebidos e as terras privadas do senhor. Bem que eu gostaria que isso mudasse. Mas se Deus quis assim, quem sou eu para contrariá-lo?

De minha humilde casa, quase tudo que vejo é a enorme casa de meu senhor. Mas também consigo enxergar um belo bosque atrás. A sociedade em que vivo foi estruturada por um bispo do século XI, chamado Adalberón de Laon.

Abraços, 
Antônio de Lovass, camponês.

OBS: Escrevi essa carta com a ajuda do padre Cicílio.

Da Pré-História à História

A mais simples, rápida, inusitada e divertida atividade de todos os tempos. Com vocês, os períodos pré-históricos - o Paleolítico e o Neolítico - e o início da "História". Você consegue identificar as características dos contextos históricos? Tente. Procure as representações: i) da caça e coleta, do nomadismo, da arte rupestre, do fogo e das ferramentas simples; ii) da agricultura e pecuária, do sedentarismo, da roda, da metalurgia e das ferramentos mais sofisticadas; e iii) do surgimento do comércio e da escrita, das guerras e alianças e da centralização política, do Estado. Valeu, galerinha!

Turma I




Turma II




Turma III




Mais de Brecht e História



Elogio do aprendizado

Aprenda o mais simples! Para aqueles
Cuja hora chegou
Nunca é tarde demais!
Aprenda o ABC; não basta, mas
Aprenda! Não desanime!
Comece! É preciso saber tudo!
Você tem que assumir o comando!

Aprenda, homem no asilo!
Aprenda, homem na prisão!
Aprenda, mulher na cozinha!
Aprenda, ancião!
Você tem que assumir o comando!
Frequente a escola, você tem não tem casa!
Adquira conhecimento, você que sente frio!
Você que tem fome, agarre o livro: é uma arma.
Você tem que assumir o comando.

Não se envergonhe de perguntar, camarada!
Não se deixe convencer
Veja com seus olhos!
O que não sabe por conta própria
Não sabe.
Verifique a conta
É você que vai pagar.
Ponha o dedo sobre cada item
Pergunte: o que é isso?
Você tem que assumir o comando.

O Analfabeto político

O pior analfabeto
É o analfabeto político
Ele não ouve, não fala
Nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida
O preço do feijão, do peixe, da farinha
Do aluguel, do sapato e do remédio
Dependem das decisões políticas.

Não sabe o imbecil que,
Da sua ignorância política
Nasce a prostituta, o menor abandonado,
E o pior de todos os bandidos,
Que é o político vigarista,
Pilantra, corrupto e o lacaio,
Das empresas nacionais e multinacionais.

Soube que vocês nada querem aprender

Soube que nada querem aprender
Então devo concluir que são milionários.
Seu futuro está garantido - à sua frente
Iluminado. Seus pais
Cuidaram para que seus pés
Não topassem com nenhuma pedra. Neste caso
Você nada precisa aprender. Assim como é
Pode ficar.

Havendo ainda dificuldades, pois os tempos
Como ouvi dizer, são incertos
Você tem seus líderes, que lhe dizem exatamente
O que tem a fazer, para que vocês estejam bem.
Eles leram aqueles que sabem
As verdades válidas para todos os tempos
E as receitas que sempre funcionam.
Onde há tantos a seu favor
Você não precisa levantar um dedo.
Sem dúvida, se fosse diferente
Você teria de aprender.

Pra começo de conversar

Para já pensarmos a relação de todos nós com a História, compartilho um curto e denso poema do grande artista russo Bertolt Brecht:


Se fôssemos infinitos

Fôssemos infinitos
Tudo mudaria
Como somos finitos
Muito permanece.






E para instigar a investigação e estimular a curiosidade, vale a pergunta: você conhece todos os sujeitos históricos citados na canção Saiba, do paulista Arnaldo Antunes?


Dia da Consciência Negra

Em dias como os nossos, uma atividade interdisciplinar - História e Artes - sobre o Dia da Consciência Negra não poderia ficar de fora. Para isso, fizemos uma reflexão sobre a trajetória histórica dos negros aos dias atuais na tentativa de percebemos a gravidade do preconceito racial frente às relações humanas e sociais.


Utilizamos, para orientar nossa reflexão, cinco elementos: um vídeo - composto por cenas do filme Amistad, de Steven Spielberg, e pelo poema Navio negreiro, de Castro Alves -, o poema O açúcar, de Ferreira Gullar, e três composições musicadas - Negros, de Adriana Calcanhotto, A Mão da limpeza, de Gilberto Gil, e Inclassificáveis, de Arnaldo Antunes. Para finalizar, solicitamos aos alunos uma aproximação com as ideias de Gilberto Freyre e de Jacob Gorender acerca das relações entre brancos e negros!

Cenas de Amistad e narração de Navio negreiro.

O AÇÚCAR
Ferreira Gullar

O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Veja o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça,
água na pele, flor que dissolve na boca.
Mas este açúcar não foi feito por mim.

Este veio da mercearia da esquina
e tampouco o fez o Oliveira, dono da mercearia.
Este açúcar veio de uma usina de açúcar
em Pernambuco ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.
Este açúcar era cana e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso no regaço do vale.

Em lugares distantes, onde não há hospital nem escola,
homens que não sabem ler
e morrem de fome aos 27 anos
plantaram e colheram a cana que viraria o açúcar.
Em usinas escuras, homens de vida amarga
produziram este açúcar branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.


Negros, de Adriana Calcanhotto.

A mão da limpeza, de Gilberto Gil.

Inclassificáveis, de Arnaldo Antunes - com participação
de Chico Science e Nação Zumbi.

"Contos e lendas dos heróis da Grécia Antiga"


A correria do último trimestre quase impede a realização de uma atividade diferente. A partir do livro de mesmo nome, escrito por Christian Grenier e ilustrado por Christian Heinrich, dividimos os doze capítulos por quatro com o objetivo de fazer com que cada turma construíssem poemas e cenas fotográficas capazes de sintetizá-los. Seguem abaixo algumas das produções!

Leônidas ou O vencedor das Termópilas.
Bárbara Bettinassi

Xerxes queria vingança
uma batalha ia começar
Com poucos hoplitas
Leônidas resolveu atacar

Seu exército era pequeno
lutou com raça e dignidade
Leônidas foi atingido por uma flecha em seu coração
Uma homenagem a ele foi construída
a lembrança dele e de seus hoplitas.

Demóstenes ou O orador gago.
Isabella Gallo

Demóstenes era injustiçado
com a fortuna de seu pai seus primos haviam ficado
Queria se vingar pelas ofensas, pois era gago
e sua irmã Cleóbula o ajudou, sem pedido negado.

Engolindo pedras para se livrar da gagueira
ele fez vitória conseguida, se tornou orador.
Defendeu o povo com argumentos,
porém a cidade Filipe invadiu
e em fuga Demóstenes tomou veneno e caiu.

Arquimedes ou Eureca.
Marina Braga

Arquimedes, primo do rei Hierão,
a quantidade de ouro da coroa tinha de achar.
Descobre e inventa alavanca
e espalho escaldante para salvar.
Achava inútil banhar-se e comer, só queria inventar.

Cônsul Marcelo queria Arquimedes
para Roma dona do mundo se tornar.
Destraído, morreu na praia sem desconfiar
seu túmulo que havia se perdido Cícero veio encontrar.

Maratona ou A vitória correndo.

Aristóteles ou Um sábio no exílio.

Alexandre, o Grande ou No rastro do  dono do mundo.

Sexto J

Homero ou O poeta dos três rostos.

Sócrates ou À morte, filósofo.

ExpoArte 2011

A ExpoArte teve como tema anual os quatro elementos da natureza. Por coincidência, ou não, os Sextos Anos tiveram de desenvolver temas sobre a "Água", enquanto os Sétimos Anos tiveram de desenvolver temas sobre o "Ar". Nada melhor do que destacar a importância dos rios e dos mares para o desenvolvimentos das dez civilizações antigas estudadas ao longo do ano letivo pelos alunos dos Sextos Anos (egípcios, mesopotâmios, núbios, fenícios, hebreus, persas, chineses, indianos, gregos e romanos) e destacar a importância do vento, ar em movimento, para o sucesso das expedições marítimas europeias rumos ao Oriente e às suas especiarias a partir dos estudos dos Sétimos Anos. Inevitável, por sua vez, foi agrupar todas os misteriosos produtos que fizeram com que os europeus percorressem milhas e milhas desconhecidas: canela, cravo, cavalo, seda e porcelana, fumo e algodão, almíscar, açúcar, pimenta-malagueta, noz-moscada, cânfora e dezenas de outras...

Os Sextos Anos, a Água e as Civilizações Antigas

Os Sétimos Anos, o Ar e as Grandes Navegações