O Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) surpreendeu a todos quando levou ao ar a produção Amor e Revolução, escrita por Tiago Santiago, com colaboração de Renata Dias Gomes e Miguel Paiva, e sob a direção de Reynaldo Boury, Luiz Antônio Piá e Marcus Coqueiro. Toda ela tinha como pano de fundo o contexto histórico da última ditadura militar brasileira no qual viveram muitos dos nossos familiares - pais, irmãos, tios, sobrinhos, primos, avós, bisavós, entre outros - e parentes dos nossos amigos e conhecidos. Ao final de cada capítulo, depoimentos relatavam a ação dos militares para com todos aqueles considerados "nocivos à nação" - "subversivos", como costumam denominar todos os contrários ao regime. Confira alguns deles para fazer com que este episódio não seja esquecido e o seu retorno nunca seja possibilitado!
- Desestrutura pós-guerra, alto desemprego e dívidas com ingleses e estadunidenses.
- Mussolini: professor primário, jornalista e defensor do socialismo.
- A fundação do movimento Fasci italiani di combattimento.
- O nacionalismo exagerado: nação forte, unida, sem luta de classes.
- A alusão ao Império Romano: "Acreditar, obedecer e combater!".
O fascismo não crê, nem na possibilidade, nem na utilidade de uma paz perpétua. Só a guerra leva ao máximo de tensão todas as energias humanas e marca com um sinal de nobreza os povos que têm coragem de afrontá-la. Para nós, fascistas, a vida é um combate contínuo e incessante [...] O princípio essencial da doutrina fascista é a concepção do Estado. Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado. O indivíduo está subordinado às necessidades do Estado e, à medida que a civilização assume formas cada vez mais complexas, a liberdade do indivíduo se restringe cada vez mais. Nós representamos um princípio novo no mundo, representamos a antítese nítida, categórica, definitiva da democracia [...], da monarquia, em suma [...], dos imortais princípios de 1789.
- O crescimento dos socialistas e os grandes empresários.
- A fundação de um novo partido político: Partido Nacional Fascista [1921]
Benito Mussolini, o Duce.
- Ou o governo restabelece a ordem, ou os fascistas o faria.
- Vittorio Emanuelle III e a Marcha sobre Roma.
- A invasão dos "camisas negras" vindos de várias partes da Itália.
- O convite e a nomeação de Mussolini como primeiro-ministro.
# Incentivava o vale-tudo às escondidas; usava a violência e a fraude nas eleições [1924]; supressão dos partidos políticos de oposição; fechou jornais; prendeu jornalistas; e criou uma polícia secreta [OVRA], que perseguia, prendia e assassinava adversários.
Antonio Gramsci: bloco histórico, hegemonia e intelectual orgânico.
- A aliança com a Igreja Católica: o Papa Leão XI e o Tratado de Latrão.
- Intervenção na economia: as elites e as classes médias ascendem e se consolidam, enquanto os operários enfrentaram os baixos salários, o desemprego e a inexistência de sindicatos. NAZISMO
O Grande Ditador [1940]. de Charles Chaplin.
- O caos pós-guerra: inflação, desemprego, dívida externa.
- Os socialistas e as promessas de soluções rápidas e "mágicas".
- A fundação do Partido Nazista [1919] e a presença de Adolf Hitler.
- Hilter versus políticos liberais e Tratado de Versalhes.
- A criação das SA - Tropas de Assalta - para exterminar os adversários.
- A tentativa de tomar o poder, o fracasso e a prisão.
- A produção de um livro e de uma doutrina no cárcere.
# A superioridade ariana; o antissemitismo; e a expansão territorial.
- O general Paul von Hindenburg e o auxílio financeiro estadunidense.
- A repercussão da crise de 1929: fome, humilhação e falta de esperança.
- O crescimento repentino [1929-1932] e a simpatia de Hitler: militares e industriais.
- Hitler assume como chanceler, chefe de governo [1933].
- A vitória eleitoral dos nazistas e o uso excessivo da propaganda e da violência.
# Queima de livros; demissão de socialistas e democratas; perseguição aos judeus; titulação de Führer, guia/condutor;congelamento de salários; a valorização dos trustes, como o grupo Krupp; e aliança com a Itália fascista.
Os jogos olímpicos de Berlim [1936]
Os jogos e a "superioridade ariana"
# A construção do estádio pára 100 mil pessoas; Vila Olímpica para 4 mil atletas; e a contratação da cineasta Leni Riefensthal para exaltar os ideias nazistas.
# Indústrias de base (ferro, aço e máquinas); obras públicas; fábricas de armas; e nomeação de comandantes militares; controle sobre das Forças Armadas.
A vida de Adolf Hitler, produzido pela History Channel.
Os seguidores das ideias nazifascistas
- A Proclamação da República na Espanha [1931], a Falange e a Frente Popular.
- Franco, os nazifascistas e a instalação do franquismo.
Guernica [1937], de Pablo Picasso.
- Antônio de Oliveira Salazar: professor de economia e o salazarismo.
- Getúlio Vargas, Ação Integralista Brasileira e o Estado Novo.
O Neonazismo e o tempo presente...
Ameaça no Rio de Janeiro!
A comemoração de Giorgos Katidis, futebolista grego
- "Anos felizes" ou "Anos dourados" e "Crise de 1929" ou "Grande Depressão".
- O privilégio dos EUA durante a Primeira Guerra e seu enriquecimento posterior: o fornecimento de armas e alimentos para nações europeias.
- O acúmulo de capitais estadunidenses e o aumento de impostos sobre os produtos estrangeiros.
- A década de 1920 e os "anos felizes": a prosperidade e o otimismo dos EUA.
- "A propaganda estimula o consumo e ajuda o crescimento do país".
- American way of life: consumir, consumir e consumir o que há de mais moderno.
# Altos investimentos em pesquisa, novas fontes de energia produção em larga escala.
- Os altos e frequentes investimentos na Bolsa de Valores de New York.
- A compra e a venda de ações e o lucro fácil dos acionistas e empresários.
- Adiante, os valores da ações não correspondiam às condições das empresas.
- Em 24 de outubro de 1929, despencam os preços das ações: crash da Bolsa.
# Causas do crash: a concentração de riqueza nas mãos de poucos; o descompasso entre o crescimento dos salários e o aumento dos lucros; a concorrência entre os EUA e a Europa no mercado internacional - após a sua recuperação da Primeira Guerra; e a crise agrícola. [Crise de superprodução!]
# Consequências do crash: os agricultores perderam terras para bancos; indústrias faliram; enfraqueceram a produção; desprezaram a massa trabalhadora; o governo cortou gastos no exterior e parou de conceder empréstimos.
# A estagnação da produção e do consumo musical do jazz.
Louis Amstrong (1901-1971)
Nat King Cole (1919-1965) e Herbie Hancock (1940)
Billie Holiday (1915-1959)
Nina Simone (1933-2003) e Amy Winehouse (1983-2011)
- A presidência de Franklin Roosevelt e as ideias econômicas de John Keynes.
- New Deal: o Estado deve intervir na economia.
# Principais medidas: o investimento em obras públicas; a destruição dos estoques agrícolas; o controle sobre os preços e a produção; a diminuição da jornada de trabalho; fixou-se o salário mínimo e criou-se o seguro-desemprego e a aposentadoria.
- O desemprego diminuiu, a indústria e a agricultura foram recuperadas e a renda nacional voltou a crescer.
- Para alguns políticos autoritários, as democracias liberais eram incapazes de resolver os problemas sociais.
- A solução para resolvê-los seria construir um governo forte, dirigido por um líder único.
- O czar, monarca absolutista, e o seu imenso império russo: nomeava ministro, usava a censura sobre os meios de comunicação e a violência.
- As rebeliões camponesas e o fim da dinastia Romanov (1613-1917).
- A Rebelião de Pugatchev (1773-1775) e a resistência camponesa.
- O fim da servidão e a indenização por dezenas de anos.
- Os capitais estrangeiros alemães, franceses e belgas e a modernização da Rússia: exploração de petróleo, produção de aço, construção de ferrovias - a Transiberiana - e a industrialização e urbanização de São Petersburgo, Moscou e Kiev.
- O êxodo rual e as condições de trabalhos nas fábricas e indústrias.
# Salários baixos, insalubridade e jornada de 14 horas/dia!
# Greves, passeatas e aproximação e apropriação das ideias socialistas e anarquistas!
# O Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR)!
- Vladimir Ulianov, Lenin, e Lev Bronstein, Trotsky.
- Os bolcheviques, a revolução, e os mencheviques, a parceria com a burguesia.
- As consequências da guerra contra o Japão pela Manchúria (1904).
Majestade,
Nós, trabalhadores e habitantes de São Petersburgo, nossas mulheres, nossos filhos e nossos parentes velhos e desamparados, vimos à vossa presença, majestade, buscar verdade, justiça e proteção. Fomos transformados em pedintes, somos oprimidos, estamos à beira da morte. [...] Paramos o trabalho e dissemos aos nossos patrões que não recomeçaremos enquanto não aceitarem nossas reivindicações. Não pedimos muito: a redução da jornada de trabalho para oito horas, o estabelecimento de um salário mínimo de um rublo por dia e a abolição do trabalho extraordinário.
Os oficiais levaram o país à ruína completa e o envolveram numa guerra vergonhosa. Nós, os trabalhadores, não temos como nos fazer ouvir sobre a maneira como são gastas as enormes somas que nos são retiradas em impostos. [...]
Estas coisas, majestades, trouxeram-me diante de vosso palácio. Estamos procurando a nossa última salvação. Não recusai ajuda a vosso povo. Destruí o muro que se levanta entre vós e o povo. [...]
- O Domingo Sangrento e os sovietes - os conselhos de deputados eleitos.
- As dificuldades da guerra, o desemprego, a inflação e a fome.
- A culpa do Nicolau II, o saque a armazém e lojas e o apoio do exército.
Lenin, Trotsky e Stalin.
Governo Provisório
- Libertação de presos, retorno de exilados e liberdade de imprensa e associação.
- Lenin e "todo poder aos sovietes": deixar a guerra e repartir a terra.
- "Paz, terra e pão" e a Guarda Vermelha, comandada por Trotsky.
Lenin e a Guerra Civil
- Tratado de Brest-Litovsk (1918) e a paz com os alemães.
- O apropriação das terras da família real e da Igreja Ortodoxa.
- A estatização da economia: indústrias, bancos e estradas de ferro.
- A igualdade de direitos entre homens e mulheres.
- O Exército Branco e o auxílio inglês, japonês e dos EUA.
- A adoção do comunismo de guerra e o julgamento dos inimigos da revolução.
- A NEP e a economia: permissão da venda do excedente, estimulou a formação de pequenas e médias indústrias e a entrada de capitais estrangeiros, como empréstimos e/ou investimento.
# Tudo sob o domínio do Estado: indústria de base, comércio exterior, sistema bancário, transportes e meios de comunicações.
- O ditadura do Partido Comunista: decisões sem participação da sociedade, liberdade de imprensa suprimida, perda de autonomia dos sindicatos e dos sovietes, entre outras medidas.
- A formação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas - URSS (1922).
- O gigantismo da União Soviética e a nomeação de Stalin como secretário-geral.
- "Grande Irmão" e "Pai do Povo": Stalin e o uso o Estado para exaltar a identidade.
- A disputa entre Stalin e Trotsky: o possível sucessor de Lenin.
- Trotsky: a internacionalização da revolução socialista e a revolução permanente.
- "O Socialismo num único país": Stalin e a necessidade de consolidar o socialismo.
- Por meio de manobras políticas, Stalin expulsa Trotsky do partido e manda-o matar.
O encouraçado Potenkim (1925), dirigido por Sergei Enseinstein.
Ditadura Stalinista (1929-1953)
# Sistema de partido único, opressão às nacionalidades; burocratização do Estado; proibição da liberdade de imprensa e de pensamento; e julgamentos forjados.
OS CARTAZES SOVIÉTICOS
A nossa causa é justa. O nosso inimigo será esmagado!
Juro que derrotarei o inimigo!
A nossa bandeira! A bandeira da vitória!
Mulher liberada constrói o socialismo!
Glória ao nosso vitorioso exército vermelho!
Defenderemos a cidade de Lenin com todas as nossas forças!
Para ilustrar a implantação do Socialismo e sua manutenção, nada melhor do que uma pesquisa e seleção de alguns poemas de Bertolt Brecht (1898 - 1956) feita pelos alunos!
A VERDADE UNIFICA [Victor Ercílio, Bruno e Gabriel]
Amigos, gostaria que soubésseis a Verdade e dissésseis!
Não como cansados Césares fugitivos: amanhã vem farinha!
Mas como Lenine: amanhã à noitinha!
Estamos perdidos, se não...
Ou como se diz na cantiguinha:
Irmãos, como esta questão
Quero logo começar:
Da nossa difícil situação
Não há de escapar
Amigos, uma forte confissão
E um forte SE NÃO!
NUNCA TE AMEI TANTO [Leonardo Franciscon]
Nunca te amei tanto, ma souer,
Como quando de ti parti naquele pôr-do-sol.
O bosque engoliu-me, o bosque azul, ma souer,
Sobre que já pousavam as estrelas pálidas a oeste.
Não me ri nem um pouco, nada, ma souer,
Eu que a brincar ia ao encontro dum destino escuro -
Enquanto os rostos já atrás de mim
Devagar empalideciam no anoitecer do bosque azul.
Tudo era belo naquele anoitecer único, ma souer,
Nunca mais depois e nunca mais antes assim -
Verdade é: só me ficaram as grandes aves
Que ao anoitecer têm fome no céu escuro.
PRAZERES [João Vitor e Lucas Ferraz] O primeiro olhar na janela de manhã O velho livro de novo encontrado Rostos animados Neve, o mudar das estações O jornal O cão A dialética Tomar duche, nadar Velha música Sapatos comodos Compreender Música nova Escrever, plantar Viajar, cantar, Ser amável.
ALGUMAS PERGUNTAS A UM HOMEM BOM [Lucca e Pedro]
Bom. Para quê?
Você não é corrupto,
Mas o raio que destrói a casa
Também não é corrupto.
Você jamais se desdiz.
Mas o que você diz?
Você é de boa fé
Declara sua opinião
Mas qual opinião?
Você tem coragem
Contra quem?
Você é um artista
Repleto de sabedoria
Pleno de talento
Para quem?
Você não visa o próprio interesse
O interesse de quem, então?
Você é um bom amigo,
de boa gente?
Então, escuta:
Nós sabemos que você é o nosso inimigo.
Por isso, vamos te encostar no paredão.
Mas, em consideração aos seus méritos
E às suas boas qualidades,
Num bom paredão.
E te fuzilar com boas balas
Disparadas por bons fuzis
E te enterrar
Com boa pá
Em terra boa.
O HORROR DE SER POBRE [Igor e Matheus]
Risco c´um traço
(um traço fino, sem azedume)
todos os que conheço, eu mesmo incluído.
Para todos estes não me verão
nunca mais
olhar com azedume.
O horror de ser pobre! Muitos gabavam-se que aguentariam,
mas era ver-lhes as cara alguns anos depois! Cheiros de latrina e papéis de paredes podres
atiravam abaixo homens de peitaça larga como toiros.
As couves aguadas
destroem planos que fazem forte um povo.
Sem água de banho, solidão e tabaco
Nada há que exigir.
O desprezo do público
arruína o espinhaço.
O pobre nunca está sozinho.
Estão todos sempre a espreitar-lhe para o quarto.
Abrem-lhes buracos no prato de comida.
Não sabe pra onde há-de ir.
O céu é seu teto, e chove lá pra dentro.
A Terra enxota-o. O vento não o conhece.
Nada é o dinheiro que se tem. Não salva ninguém.
Mas nada ajuda quem dinheiro não tem.
O ANALFABETO POLÍTICO [Gabriel Monte]
O pior analfabeto
é o analfabeto político
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimento políticos.
Ele não sabe que o custo da vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio.
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.
DOS RESTOS DE VELHOS TEMPOS [Vinícius e Pedro Maldonado]
Para exemplo ainda continua a Lua nas noites por sobre os novos edifícios; Entre as coisas de cobre é ela a mais inutilizável. Já as mães contam de animais, chamados cavalos, que puxavam carros. E verdade que quando se fala de continentes já não são capazes de acertar com os nomes: pelas grandes antenas novas já dos velhos tempos se não conhece nada.
NADA É IMPOSSÍVEL DE MUDAR [Guilherme Santos, Kaique e Vinícius]
Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é hábito
como coisa natural.
Pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parece natural.
Nada deve parecer impossível mudar.
O CAMPONÊS TRATA DAS LEIRAS [Gabriel Tocaxelli, João Cortês e Matheus Rodrigues]
O camponês trata das leiras
mantém em forma as vacas, paga imposto
faz filhos pra poupar criados
e está dependente do preço do leite.
Os da cidade falam do amor ao torrão
da sadia cepa campesina e
que o camponês é o fundamento da Nação.
Os da cidade falam do amor ao torrão
da sadia cepa campesina e
que o camponês é o fundamento da Nação.
Mantém em forma as vacas, paga impostos
faz filhos para poupar criados e
está dependente do preço do leite.
LOUVOR DO APRENDER [Matheus Branco]
Aprenda o mais simples! Para aqueles cujo tempo chegou.
Nunca é tarde demais! Aprenda o ABC! Não chega, mas
Aprenda-o! E não te enfades! Começa! Tens de saber tudo! Tens de tomar a chefia!
Aprenda, homem do asilo!
Aprenda, homem na prisão! Aprenda mulher na cozinha! Aprenda, sexagenária! Tens de tomar a chefia! Frequente a escola, homem sem casa! Arranje saber, homem com frio! Faminto, pegue o livro: é uma arma. Tens de tomar a chefia. Não te acanhes de perguntar, companheiro! Não deixes que te metam patranhas na cabeça: Vê c´os teus próprios olhos! O que tu mesmo não sabes Não o sabes. Verifica a conta: És tu que a paga. Põe o dedo em cada parcela, pergunta: como aparece isto aqui? Tens de tomar a chefia.
SOBRE A TRAIÇÃO [Nicolas Oliveira]
Deve-se manter uma promessa? Deve-se fazer uma promessa?
Quando algo tem que ser prometido, não existe ordem.
Então, deve-se produzir essa ordem.
O homem não pode prometer nada.
O que o braço promete à cabeça?
Que continuará um braço e não se tornará um pé.
Pois a cada sete anos ele é outro braço.
Se um trai o outro, trai o mesmo ao qual prometeu?
Na medida em que alguém a quem algo foi prometido
se vê em circunstâncias sempre novas, e portanto muda
conforme as circunstâncias e se torna outro, como poderá
ser mantida a ele a promessa feita a um outro?
Aquele que pensa trai.
Aquele que pensa nada promete,
exceto que continuará sendo um homem que pensa.
ELOGIO DO CONSUMISMO [Vittor e João Gabriel]
Ele é razoável. Todos o compreendem. Ele é simples. Você, por certo, não é nenhum explorador. Você pode entendê-lo. Ele é bom para vocês. Informe-se sobre ele. Os idiotas dizem-no idiota e os porcos dizem-no porco. Ele é contra a sujeira e contra a estupidez. Os exploradores dizem-no um crime, mas nós sabemos que ele é o fim dos crimes. Ele não é a loucura e sim o fim da loucura. Não é o caos e sim uma nova ordem. Ele é a simplicidade.
AULAS DE AMOR [Guilherme Isidoro]
Mas, menina, vai com calma
Mais sedução nesse grasne:
Carnalmente eu amo a alma
E com alma eu amo a carne.
Faminto, me queria eu cheio
Não morra o cio com pudor
Amo virtude com traseiro
E no travesseiro virtude por.
Muita menina sentiu perigo
Desde que o deus no cisne entrou
Foi com gosto ela ao castigo:
O canto do cisne ele não perdoou.
NÃO DEVERÍAMOS MOSTRAR-NOS TÃO CRÍTICOS
Não deveríamos mostrar-nos tão críticos
Entre o sim e o não
Não há tanta diferença como isso.
Escrever numa folha em branco
É bom
Mas não menos bom é dormir e comer à noite
A água fresca sobre a pele, o vento,
os fatos bonitos,
o ABC,
defecar.
Falar de corda em casa de enforcado
É contrário à boa educação
E marcar no meio do lixo
Uma nítida diferença entre
A argila e o esmeril
Não parece conveniente.
Ah,
E o que fizer alguma ideia
Do que é um céu estrelado
Esse
Pode muito bem calar o bico.
DE QUE SERVE A BONDADE [Gabriel Baz e Leonardo]
De que serve a bondade
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos
Aqueles para quem foram bondosos?
De que serve a liberdade
Quando os livres têm que viver
entre os não-livres?
De que serve a razão
Quando só a sem-razão arranja a comida
de que cada um precisa?
Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos
Por criar uma situação que torne possível
a bondade, e melhor; a faça supérflua!
Em vez de serdes só livres, esforçai-vos
Por criar uma situação que a todos liberte
E também o amor da liberdade faça supérfluo!
Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos
Por criar uma situação que faça da sem-razão
dos indivíduos um mau negócio!
Temam menos a morte e mais a vida insuficiente. [Matheus Fraiole]
* É preciso saber o que é Socialismo!
- Século XVIII: a industrialização e o movimento operário.
- Karl Marx: da luta de classes à revolução do proletariado.
- Alguns conceitos marxistas: exploração, mais-valia e alienação.